Selos homenageiam Jazz em Portugal

Selos homenageiam Jazz em Portugal

CTT dedicam emissão filatélica ao Jazz. Selos reproduzem cartazes de vários festivais de Jazz portugueses.


EMISSÃO RECORDA LUÍS VILLAS BOAS, DIVULGADOR PIONEIRO DO JAZZ EM PORTUGAL


No ano em que se recorda o décimo aniversário da morte de Luís Villas Boas, os CTT dedicam uma emissão de selos ao jazz. A figura daquele ex-trabalhador dos CTT (Fiscal Auxiliar de Rádio) que muitos consideram o pai do jazz em Portugal ilustra a peça central desta colecção, um bloco filatélico que mostra também a sede do Hot Club de Portugal, fundado por Villas Boas, e integra um selo com uma das suas primeiras formações, o Quarteto Hot Club.


Para além deste bloco, que tem o valor de 3,16 euros com uma tiragem de 60 mil exemplares, a emissão é composta por 6 selos ilustrados com reproduções de cartazes dos principais festivais de jazz que decorrem habitualmente em Portugal. O selo de 32 cêntimos recorda o Cascais Jazz, primeiro festival realizado no nosso país, justamente pela mão de Luís Villas Boas. Terá uma tiragem de 330 mil exemplares.

Os selos de 47 e 68 cêntimos, ambos com tiragens de 230 mil exemplares, mostram cartazes do Jazz Num Dia De Verão e do Festival de Jazz Europeu no Porto.

O Jazz Em Agosto, da Fundação Gulbenkian, e o Guimarães Jazz ilustram os selos de 57 e 80 cêntimos, com tiragens previstas de 200 mil exemplares.

O último selo da colecção tem o valor de 1 euro, com tiragem de 245 mil exemplares, e recorda o Seixal Jazz.


A emissão tem desenho gráfico de Hélder Soares, do Atelier Acácio Santos, sobre fotos de Augusto Mayer, João Freire e Joaquim Mendes, e tem obliteração de primeiro dia marcada para 26 de Junho em Lisboa, no Porto, no Funchal, em Ponta Delgada e no Estoril.


O Cascais Jazz foi o primeiro festival de jazz realizado em Portugal. O seu primeiro cartaz, inaugurado em 20 de Novembro de 1971, fez passar sobre o palco do Pavilhão dos Desportos de Cascais alguns dos maiores nomes do momento : Miles Davis, Ornette Coleman, Dizzy Gillespie, Thelonious Monk, Art Blakey, Dexter Gordon e Phil Woods, entre outros.


Nesta noite memorável, ocorreram alguns factos curiosos: Miles Davis exigiu tocar em primeiro lugar, e Ornette Coleman fez questão de tocar imediatamente a seguir, o que terá provocado um atraso razoável para o público. A dada altura, durante a actuação do seu quarteto, Charlie Haden decidiu dedicar o tema Song for Che aos movimentos de libertação dos negros em Angola e Moçambique, o que provocou uma enorme onda de aplausos por parte da assistência. Nas bancadas podiam ver-se panos com as inscrições «Guiné Livre» e «Abaixo a Guerra Colonial» e, nessa altura, o espectáculo esteve na iminência de ser suspenso pela polícia de choque que aguardava no exterior. Quanto a Charlie Haden, ao regressar ao camarim, foi levado para a sede da PIDE/DGS, tendo sido obrigado a embarcar para Londres no dia seguinte.


Porém, a história do Jazz em Portugal não começou com os festivais, mas sim muito antes, e nela encontramos estreitamente associados o entusiasmo e a perseverança de Luís Villas-Boas, aliás co-fundador do Cascais Jazz. Com uma enorme paixão pelo Jazz, este homem criou, em 1945, o primeiro programa de rádio em Portugal dedicado a este tipo de música, e fundou, em 1948, o Hot Clube de Portugal, o primeiro clube de Jazz em Portugal. A sua luta em prol da divulgação do Jazz abrangeu cinco décadas, durante as quais foi ainda produtor e promotor de concertos e festivais, organizador de jam-sessions (juntando músicos portugueses e estrangeiros) e produtor discográfico.

Entretanto, o Hot Clube de Portugal, a funcionar na mesma pequena cave de sempre da Praça da Alegria, em Lisboa, tornou-se num dos mais antigos clubes de Jazz do mundo.


A emissão dedicada ao Jazz em Portugal inclui Sobrescritos de 1º dia, aos preços de 55 e 74 cêntimos, e pagela, com o valor de 70 cêntimos.